terça-feira, 16 de outubro de 2012

Compulsão Alimentar


A compulsão alimentar é um distúrbio químico nos mecanismos da saciedade caracterizado pela ingestão de grande quantidade de alimentos em um curto período de tempo (cerca de até duas horas), acompanhado da perda do controle sobre o que e/ou o quanto se come. Alguns estudos apontam que para que o diagnóstico seja realizado, esses episódios devem ocorrer pelo menos dois dias por semana nos últimos seis meses, associados a algumas características de perda de controle.

Os indivíduos “compulsivos” apresentaram baixos relatos de dietas restritivas quando comparados, por exemplo, a pacientes com Bulimia Nervosa, que alternam entre compulsões e restrições alimentares. Em média, estes pacientes possuem uma maior prevalência de obesidade e de “efeito sanfona” quando comparado a indivíduos que não sofrem desta patologia. Grande parte das pessoas que sofrem de compulsão alimentar apresentam um histórico de repetidas tentativas de fazer dietas e sentem-se desesperados pela dificuldade de controlar a ingestão de alimentos. A maioria acaba desistindo de fazer dieta, em razão de repetidos fracassos. Isso não significa que pessoas com compulsão alimentar tenham que estar acima do peso, existem aquelas que possuem um peso considerado “normal”.

O compulsivo não tem hora para comer, come qualquer coisa e é considerado um "saco sem fundo”, podendo chegar a consumir 15 mil calorias num período de duas horas. Estes indivíduos, dependendo do grau de descontrole, podem comer alimentos crus e fazer combinações alimentares estranhas (como creme de leite fresco com pão). Assaltar a geladeira durante a noite também é uma característica da compulsão alimentar, e este problema atinge cerca de 4% da população geral e 6% dos obesos.

Estudos demonstraram que há variabilidades consideráveis no comportamento alimentar de pacientes compulsivos, tanto durante os episódios, como nos intervalos.

A compulsão alimentar pode estar associada à ansiedade, à depressão, a um transtorno bipolar e a uma personalidade de excessos, como acontece, por exemplo, com compras. Os episódios de ataque aos alimentos são mais frequentes no fim da tarde e à noite, quando a pessoa chega a consumir até 50% das calorias totais daquele dia. Indivíduos que sofrem desta patologia tendem a apresentar um prejuízo nas relações sociais e ocupacionais.

Tratamento: No caso da Compulsão Alimentar, raramente se fala em cura, mas sim em tratamento. Os tratamentos propostos atualmente são: Comportamental, Farmacológico e Psicoterápico.

O Tratamento comportamental abrange uma mudança de estilo de vida, reeducação alimentar e a prática de exercícios. Os exercícios servem para desviar a atenção da comida e melhorar o humor. O exercício físico libera substancias que promovem a sensação de prazer e de bem estar, fazendo com que a pessoa não precise do alimento para compensar algum problema, por exemplo. Além disso, quem pratica exercícios também queima mais calorias e tende a comer menos gordura, o que facilita o controle de peso e melhora o funcionamento intestinal, contribuindo de forma ampla para o tratamento do problema.

O tratamento farmacológico  deve ser receitado pelo médico e é importante para regular a função hormonal e diminuir a fome física e emocional, gerada por ansiedade, estresse e depressão. A administração de medicamentos antidepressivos, que modificam os caminhos da serotonina –que proporciona a sensação de bem estar, de calma e de prazer- no corpo e indutores de saciedade tem se mostrado muito eficaz.

O tratamento Psicoterápico éfundamental para tratar a parte emocional do indivíduo.

Papel do nutricionista:

O nutricionista é um profissional muito importante para orientar o indivíduo no que ele deve comer e quando comer. Há algumas estratégias nutricionais a serem adotadas, como por exemplo, oferecer ao paciente alimentos que contem triptofano, que é uma substância precursora da serotonina, causando bem-estar e calma. Temos como exemplo de alimentos o leite, a banana e o ovo.

Segundo alguns profissionais nutricionistas, também é possível suplementar triptofano e serotonina, além de evitar a cafeína, uma vez que ela aumenta os níveis de adrenalina, agitando o individuo (e não é isso que queremos para o paciente que sofre de compulsão alimentar).

Achei também um texto de uma psicóloga (Andréia Calçada) que diz o seguinte: “O paciente com compulsão alimentar deve anotar seus ímpetos compulsivos em relação à comida para que possa identificar em que situações eles surgem, e assim gerenciá-los. Com as anotações em mãos, é possível evitar as situações que disparam os ataques. A compulsiva precisa se sentir no controle da situação.”

 Bom, pelo que pudemos perceber, o transtorno da compulsão alimentar é uma síndrome do comportamento alimentar com características incertas e conflitantes e devemos tratar o paciente de forma multidisciplinar, dando sustentação a todas as pontas da pirâmide da doença.
Até a Próxima!
 

 

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