A
compulsão alimentar é um distúrbio químico nos mecanismos da saciedade caracterizado pela ingestão de grande quantidade de
alimentos em um curto período de tempo (cerca de até duas
horas), acompanhado da perda
do controle sobre o que e/ou o quanto se come. Alguns
estudos apontam que para que o diagnóstico seja realizado, esses episódios devem ocorrer pelo menos dois
dias por semana nos últimos seis meses, associados a algumas características de
perda de controle.
Os indivíduos “compulsivos”
apresentaram baixos relatos de dietas restritivas quando comparados, por
exemplo, a pacientes com Bulimia Nervosa, que alternam entre compulsões e
restrições alimentares. Em média, estes pacientes possuem uma maior prevalência
de obesidade e de “efeito sanfona” quando comparado a indivíduos que não sofrem
desta patologia. Grande parte das pessoas que sofrem de compulsão alimentar
apresentam um histórico de repetidas tentativas de fazer dietas e sentem-se
desesperados pela dificuldade de controlar a ingestão de alimentos. A maioria
acaba desistindo de fazer dieta, em razão de repetidos fracassos. Isso não significa
que pessoas com compulsão alimentar tenham que estar acima do peso, existem
aquelas que possuem um peso considerado “normal”.
O compulsivo não tem hora
para comer, come qualquer coisa e é considerado um "saco sem fundo”,
podendo chegar a consumir 15 mil calorias num período de duas horas. Estes
indivíduos, dependendo do grau de descontrole, podem comer alimentos crus e
fazer combinações alimentares estranhas (como creme de leite fresco com pão).
Assaltar a geladeira durante a noite também é uma característica da compulsão
alimentar, e este problema atinge cerca de 4% da população geral e 6% dos
obesos.
Estudos demonstraram que há
variabilidades consideráveis no comportamento alimentar de pacientes compulsivos,
tanto durante os episódios, como nos intervalos.
A compulsão alimentar pode estar
associada à ansiedade, à depressão, a um transtorno bipolar e a uma
personalidade de excessos, como acontece, por exemplo, com compras. Os
episódios de ataque aos alimentos são mais frequentes no fim da tarde e à
noite, quando a pessoa chega a consumir até 50% das calorias totais daquele
dia. Indivíduos que sofrem desta patologia tendem a apresentar um prejuízo nas
relações sociais e ocupacionais.
Tratamento: No caso da Compulsão
Alimentar, raramente se fala em cura, mas sim em tratamento. Os tratamentos
propostos atualmente são: Comportamental,
Farmacológico e Psicoterápico.
O Tratamento comportamental
abrange uma mudança de estilo de vida, reeducação alimentar e a prática de
exercícios. Os exercícios servem para desviar a atenção da comida e melhorar o
humor. O exercício físico libera substancias que promovem a sensação de prazer
e de bem estar, fazendo com que a pessoa não precise do alimento para compensar
algum problema, por exemplo. Além disso, quem pratica exercícios também queima
mais calorias e tende a comer menos gordura, o que facilita o controle de peso
e melhora o funcionamento intestinal, contribuindo de forma ampla para o
tratamento do problema.
O tratamento farmacológico deve ser receitado pelo médico e é
importante para regular a função hormonal e diminuir a fome física e emocional,
gerada por ansiedade, estresse e depressão. A administração de medicamentos antidepressivos, que
modificam os caminhos da serotonina –que proporciona a
sensação de bem estar, de calma e de prazer- no corpo e indutores de saciedade
tem se mostrado muito eficaz.
O tratamento Psicoterápico éfundamental
para tratar a parte emocional do indivíduo.
Papel do nutricionista:
O nutricionista é um profissional
muito importante para orientar o indivíduo no que ele deve comer e quando
comer. Há algumas estratégias nutricionais a serem adotadas, como por exemplo,
oferecer ao paciente alimentos que contem triptofano, que é uma substância precursora
da serotonina, causando bem-estar e calma. Temos como exemplo de alimentos o
leite, a banana e o ovo.
Segundo alguns profissionais
nutricionistas, também é possível suplementar triptofano e serotonina, além de
evitar a cafeína, uma vez que ela aumenta os níveis de adrenalina, agitando o
individuo (e não é isso que queremos para o paciente que sofre de compulsão
alimentar).
Achei também um texto de uma psicóloga
(Andréia Calçada) que diz o seguinte: “O paciente com compulsão alimentar deve anotar
seus ímpetos compulsivos em relação à comida para que possa identificar em que
situações eles surgem, e assim gerenciá-los. Com as anotações em mãos, é
possível evitar as situações que disparam os ataques. A compulsiva precisa se
sentir no controle da situação.”
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